A colecção de escultura do Museu José Malhoa constituiu-se, em parte, através de doações de artistas, familiares ou coleccionadores, no contexto da formação inicial do Museu. Por outro lado, é também fruto da acção de António Montês, que se empenhou na aquisição ou reprodução de esculturas que considerava pertinentes para uma apresentação que, hoje, podemos aceitar como se inscrevendo entre finais do século XIX e meados do século XX, com particular incidência na mentalidade naturalista.
Soares dos Reis e Teixeira Lopes
Apenas na década de 1870 a escultura portuguesa adquiriu expressão e um novo dinamismo na obra ímpar de Soares dos Reis, de que existem no Museu os exemplares em bronze do "Conde de Ferreira" (1876) e de "Flor Agreste" (1878), busto de criança cheio de interioridade. Os bustos são, aliás, marca importante na colecção de escultura do Museu.
Discípulo de Soares dos Reis, Teixeira Lopes é o nome que se sobrepôs a todos os outros do Naturalismo português, assinalando a importância da Escola do Norte e prolongando a sua influência muito além do início do século XX. Caim, de que o Museu possui um pequeno gesso, a par de Viúva, marcam a escultura naturalista portuguesa.
Os escultores de Lisboa
Mas se Teixeira Lopes determinou a vitalidade da Escola do Porto pelo professorado, à Escola de Lisboa ficou associado o nome de Simões de Almeida Tio, cuja "Puberdade" (1877) vincou a representação da timidez da nudez descoberta. Uma primeira geração revelada a partir de 1870-1880, de que faziam parte também Moreira Rato e Costa Mota, teve continuidade pelo século XX, com uma segunda vaga de artistas, activos a partir de 1890, e de que são exemplos Costa Mota Sobrinho, Simões de Almeida Sobrinho, Francisco dos Santos, João da Silva, Anjos Teixeira ou Henrique Moreira.
A Costa Mota Tio devemos o busto de José Malhoa, realizado para a grande exposição de Homenagem na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em 1928, e reproduzido em bronze para a homenagem dos seus conterrâneos no actual Largo Dr. José Barbosa, nas Caldas da Rainha – hoje presente no Claustro do Museu, no centro do “templo das artes”.
A estatuária do Estado Novo
O núcleo forte da colecção, pelo número de peças e pela sua monumentalidade, centra-se em Francisco Franco e Leopoldo de Almeida, autores fundamentais de uma “Idade de Ouro” da Escultura Portuguesa, tal como era entendida por António Ferro. A partir da década de 1930, centralizadora da atenção e do gosto oficial do Estado Novo, a escultura desenvolver-se-ia num comprometimento com as linhas vigentes, através de um elevado número de encomendas destinadas a glorificar os heróis e mitos nacionais. Acentuando o carácter cívico da estatuária pública, este núcleo da colecção é chave fundamental para o entendimento da mentalidade nacional da época.
"Torso" e "Rapariga Francesa" (Paris, 1922-1923) apontam a influência parisiense de Francisco Franco e denunciam a sua inicial tendência modernista, antes de converter-se no estatuário oficioso dos vários monumentos e programas escultóricos para diversas partes do país. De destacar, a força e austera dignidade de "João Gonçalves Zarco" (1927), para o Funchal, a solenidade da "Rainha D. Leonor" (1935), para as Caldas da Rainha, a representação equestre de "D. João IV" (1938-1940), para Vila Viçosa, ou o friso do Apostolado para a Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa, realizações de que o Museu possui gessos, maquetas ou estudos, resultado da considerável oferta do escultor.
Representantes de valores mais sintéticos de interpretação da figura humana são, ainda, Diogo de Macedo e Rui Roque Gameiro.
Os escultores caldenses, António Duarte e João Fragoso não poderiam deixar de figurar num Museu de Artes da localidade.
João Fragoso, com obras da Fase Mar, e Hein Semke, escultor alemão radicado em Portugal, apontam caminhos de uma tendência de construção minimalista ou geométrica, caminhos de actualização que, tardios e difíceis na Escultura portuguesa, não deixam marcas decisivas na estrutura da colecção, centrada entre um Naturalismo tardio e uma “Idade de Ouro” com definições oficiais.